{"id":699,"date":"2022-07-03T07:04:00","date_gmt":"2022-07-03T05:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/beucheh.cluster023.hosting.ovh.net\/?p=699"},"modified":"2022-11-27T09:48:29","modified_gmt":"2022-11-27T08:48:29","slug":"caderno","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/beucheh.cluster023.hosting.ovh.net\/?p=699","title":{"rendered":"Caderno"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n \n Tem um poema\n por cima de teu ombro\n Um passarinho vermelho\n aparecendo na madrugada\n Fugindo na noite\n com nossos abra\u00e7os\n Aquela suavidade da vida\n depois o tempo da eternidade\n Tem um p\u00e1ssaro vermelho\n por cima do teu ombro\n Vem\n Vamos ver o mundo\n Pra o transformar\n \u00a0\n (Caderno n\u00ba16 \/ 27-11-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Mas Rio t\u00e1 t\u00e3o triste\n Nunca vi essa tristeza\n Parece como uma parada \n da vida\n Uma impossibilidade\n de ver\n E Rio foi t\u00e3o triste\n mesmo com o seu c\u00e9u\n transparente\n &nbsp;\n Somos invis\u00edveis\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 03-07-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n\n Tempos acirrados\n como a gente diz \n por aqui\n E o suco de caju\n n\u00e3o pode dar conta\n O mundo fechado\n O dia a dia dif\u00edcil\n Na lanchonete \n na esquina das ruas\n Carlos de Carvalho\n e Carlos Sampaio\n Lapa\n Cada um se vira\n at\u00e9 o dia seguinte\n Na cal\u00e7ada do lado de l\u00e1\n Um rapaz com um penso\n na t\u00eampora esquerda\n vende frutas na rua\n - Vai ser melhorando\n - Se Deus quiser\n diz um outro\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 30-06-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> E agora a tempestade\n amea\u00e7a\n O trov\u00e3o reduz ao sil\u00eancio\n a natureza\n At\u00e9 a luz\n que se torna t\u00edmida\n cinzenta\n O dia est\u00e1 nos oferecendo\n a chuva\n Como um abra\u00e7o\n Vamos sair\n vamos sentir\n O gosto da \u00e1gua\n J\u00e1 estamos\n no Rio de Janeiro\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 19-06-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n \nIl faut faire surgir des images, les prendre \u00e0 la vastitude du r\u00e9el pour trouer (ou troubler) ce qui est. Le po\u00e8me, c\u2019est cela, l\u2019image apparue, comme pens\u00e9e d\u2019un sens en cours de destruction. La beaut\u00e9 n\u2019est plus une norme. Elle est, ce qui alt\u00e8re et fissure l\u2019ordre ordonn\u00e9 du langage, fa\u00e7onn\u00e9 par l\u2019image. Le po\u00e8te \u2013 Moi, je, po\u00eate!, dispara\u00eet. Il reste la poussi\u00e8re de la pierre, la nervure de la feuille, ou l\u2019or de la lumi\u00e8re. L\u2019image te regarde, elle touche dans le jeu qui la s\u00e9pare d\u2019une s\u0153ur, ce qui manque. Ton langage qui n\u2019est pas celui des autres, mais tu n\u2019existes pas sans eux, le po\u00e8me d\u00e9chiffre l'aporie en lui donnant de l\u2019air. Il vole. Le po\u00e8te est Azor.\n &nbsp;\n Um ramo de cerejeira\n quase entra \n na casa\n A luz do sol\n na madrugada\n faz fremir suas folhas\n O mundo \u00e9 mudo\n Nesse sil\u00eancio \n s\u00f3 percebo no seu sopro\n Um desejo de ser\n como um beijo pode caber\n o gosto do mar\n Na casa\n o ramo de cerejeira\n traz suas frutas\n em cima da mesa\n A mesa dos poemas\n\n (Caderno n\u00ba15 \/ 29-05-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Pode-se ouvir os cachorros latindo\n semelhantes os de Santa Teresa\n no Rio de Janeiro\n Est\u00e1 estranho ver como um tempo \n penetra um outro\n As imagens est\u00e3o viajando\n esperando um som ou uma pedra\n pra tornar-se\n numa lembran\u00e7a\n E agora vou partir\n at\u00e9 aquele Brasil que curto\n Na verdade sem vontade\n fugir ou buscar\n uma sensa\u00e7\u00e3o outra da vida\n Mesmo se na minha casa\n me sinto perto \n das palavras do Manuel do Barros\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 15-05-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n\n Mal o sil\u00eancio\n sempre tem um ave\n ou o movimento dum ramo\n Tudo isso que te faz sentir\n que a vida \u00e9 fr\u00e1gil\n breve\n Mas n\u00e3o adianta desesperar\n s\u00f3 viver aquela\n Momentos\n Amores\n At\u00e9 mesmo a solid\u00e3o\n quando o presente\n t\u00e1 desequilibrado pela uma lembran\u00e7a\n Nada mais\n &nbsp;\n Voc\u00ea lembra\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 08-05-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Depois uma chuvinha\n o sol estende os bra\u00e7os\n Quero partir\n longe\n Fora das palavras furtadas\n Somente sentir a sua luz\n Ficar num lugar quieto\n At\u00e9 a solid\u00e3o\n Sabe\n n\u00e3o espero mais nada\n No entanto\n o canto dum p\u00e1ssaro\n pode me levar\n e no tempo de escrever\n j\u00e1 estou outro\n Venha\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 24-04-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">No alvorecer da P\u00e1scoa\no sol\napareceu num sil\u00eancio\nSomente a sua luz\nnas ervas altas\nSem palavras\nFiquei um momento\nprivilegiado\ndeixando os segundos \nme atravessar\nO mundo assim parece t\u00e3o simples\nF\u00e1cil \nQueria te escrever\npra fazer daquele dia o seu niver\n\nMesmo se n\u00e3o fosse\no dia certo\nPodermos o marcar \n\nEm nosso tempo\n\nVamos fazer uma festa\nVamos ser feliz todo esse dia\n\n(Caderno n\u00ba15 \/ 17-04-2022)<\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Comme un reste d\u2019\u00e9treinte\n \u00e0 l\u2019aube\n et que les arbres\n les pierres\n et m\u00eame les chiens\n te tutoient\n La peau touche l\u2019air\n quand s\u2019enl\u00e8ve\n l\u2019habit\n Alors juste ressentir le froid\n de la nudit\u00e9\n L\u2019eau tr\u00e8s calme\n aussi de la douceur\n &nbsp;\n SE BAIGNER DANS LA MER\n &nbsp;\n &nbsp;\n (Cahier n\u00b015 \/ 12-04-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Tenho tempo\nessa manha\nQuando os vizinhos\nest\u00e3o dormindo\nSinto o sol\ncomo se fosse o primeiro do mundo\nO tempo\n\u00e9 a sua dura\u00e7\u00e3o\nFora dos sonhos\nTenho tempo\nE voc\u00ea \nSabe que faz falta \na sua presen\u00e7a\nMas deixo na luz\ntantas lembran\u00e7as\ndesaparecendo\nNo movimento dum ramo\nNo verde\nduma folha nova\nOferecida pelo seu poema\n\nTenho tempo\n\n(Caderno n\u00ba15 \/ 10-04-2022)<\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Se trata dum domingo\n igual ao outro\n for daquela luz\n do sol\n Que me conta sua hist\u00f3ria\n uma hist\u00f3ria sem palavra\n Somente a dura\u00e7\u00e3o \n do tempo\n que se abre\n Antigamente teria p\u00f4r \n o meu cora\u00e7\u00e3o \n sobre uma pedra\n Aquela do Drummond\n como uma armadilha\n para te atrair\n Mas hoje ningu\u00e9m mais\n se liga com a poesia\n Ent\u00e3o vou deixar\n esta luz\n me atravessar\n e levar as minhas esperan\u00e7as \n longe\n Remoto de n\u00f3s\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 27-03-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> H\u00e1 a primavera\n que vem apesar de tudo\n A luz daquele sol\n t\u00edmido\n t\u00e1 como um beijo\n Lembre\n um momento na sua vida\n raro\n abandonado num desejo\n sem preocupa\u00e7\u00f5es\n Uma alegria de ser\n alguns minutos\n Como a gente poderia imaginar \n a vida\n simplesmente\n &nbsp;\n Venha\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 20-03-022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> A idioma\n do poema\n se afasta de ti\n cada vez que fecha\n Teus olhos\n T\u00e3o dif\u00edcil que seja\n seus versos\n Sempre devem ser\n atravessados\n pela luz\n Mesma suja\n mesma triste\n A luz \u00e9 o sil\u00eancio \n do poema\n &nbsp;\n N\u00e3o tem idioma\n se n\u00e3o tem sil\u00eancio\n &nbsp;\n Hoje\n estou precisando dum poema\n e dum sil\u00eancio\n &nbsp;\n Que teria oz for\u00e7a\n &nbsp;\n Dum grito\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 06-03-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> A consci\u00eancia do tempo\n quando voc\u00ea pode\n sentir\n O movimento das coisas\n O sol na mesa\n suas sombras\n O calor\n at\u00e9 os ossos\n Estamos precisando um equilibro\n entre uma sensa\u00e7\u00e3o\n e um pensamento\n Nunca soube\n como viver\n N\u00e3o sou triste\n mas alegria t\u00e1 t\u00e3o vol\u00e1til\n Mal a sinto que foge\n Cad\u00ea voc\u00ea\n Cad\u00ea voc\u00ea\n O dia est\u00e1 como um abra\u00e7o\n e agora v\u00eam\n Tantas lembran\u00e7as\n Apesar do teu medo\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 27-02-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Perco tudo\n Fora do movimento\n das sombras\n deixadas pelo sol\n na mesa dos poemas\n Pouco a pouco \n me torno o vento\n Mateira do tempo\n Erva grande\n deitando\n Me traino \n pra ficar\n Uma apari\u00e7\u00e3o da luz\n Na verdade\n s\u00f3 apercebo-me\n que estou\n te esperando\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 20-02-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Se tiver tempo\n na solid\u00e3o dos dias\n N\u00e3o fa\u00e7a nada\n Deixe\n o vento\n atravessa-te\n &nbsp;\n Voc\u00ea sente\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 13-02-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Por aqui\n est\u00e1 frio\n Frio de domingo\n Quando sente\n o afastamento dos outros\n sem sequer saber\n o que voc\u00ea quereria\n Fora um pouco \n do sol\n Da sua luz\n e do calor dum beijo\n Escondido \n numa lembran\u00e7a pobre\n De repente um retrato\n rasgando o presente\n pra queimar\n essa realidade\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 06-02-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n O dia seguinte\n vi a luz da madrugada\n abrir a janela\n Abrir\n Fiquei assim\n olhando fora\n sem fazer nada outro\n J\u00e1 disse que gosto a luz\n Ela \u00e9 o meu rem\u00e9dio\n tamb\u00e9m as minhas viagens\n Penso no seu corpo\n no sol nascente\n Vamos descansar na praia\n do Canto Verde\n Cear\u00e1\n Venha comigo\n estou te esperando\n Atraz naquela janela\n atravessada pela luz\n desse dia\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 30-01-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> &nbsp;\n Vou estender\n os meus bra\u00e7os\n at\u00e9 os seus sonhos\n Vamos fender\n a realidade\n Abrir os caminhos\n dum desejo seu\n Pois preciso dum tempo\n lento\n Pra acariciar \n a pele do mundo\n O movimento\n das nuvens parecendo \n um pensamento\n desconhecido\n Ou como diria o Pessoa\n Acho que estiver poss\u00edvel\n Sentir\n com seu mente\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 23-01-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Me afastei\n tirando a cortina\n pra escrever\n O sol est\u00e1 forte\n demais\n Me afastei\n e no meu poema\n nunca me senti\n t\u00e3o perto\n de voc\u00ea\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba15 \/ 09-01-2022) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> O dia trouxe \n uma calma estranha\n Cad\u00ea o sol\n Desde a minha inf\u00e2ncia\n fiquei combinado com ele\n Um acordo secreto\n \u00c9 por isso que viajo\n Ver o sol\n Assim fui no Brasil\n Assim fui no Congo\n Sabe porque\n Descobri que sobre a linha do equador\n ele estava mais grande\n Simplesmente porque voc\u00ea est\u00e1 mais perto\n &nbsp;\n J\u00e1 preparei as malas\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 14-11-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Vamos na Bahia\n como uma ultima vez\n Dormir na praia \n Acordar-se com o sol\n da madrugada\n Escrever um poema\n na areia\n sabendo que o mar\n ir\u00e1 o fazer\n desaparecer\n Vamos na Bahia\n encontrar gente\n de poucas palavras\n certas\n Porque sempre\n devemos esperar algo\n nessa vida\n As vezes tamb\u00e9m \u00e9 bom\n esquecer\n Ser o que vai acontecer\n Vamos na Bahia\n no lugar das origens\n porque foi l\u00e1\n que um Deus b\u00eabado\n criou\n os abra\u00e7os\n Vamos na Bahia\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 07-11-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Dum c\u00e9u profundo\n como o mar\n A cor roxa\n das nuvens\n mistura-se\n com uma impaci\u00eancia\n As aves\n Me sinto desta mat\u00e9ria\n Terra arada\n debaixo da chuva\n Quando o seu sentimento\n surgiu\n Onde come\u00e7a\n a nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo\n Onde acaba\n Movimentos \n intensos\n At\u00e9 um poema\n tempor\u00e1rio\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 24-10-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Em pouco tempo\n o sol\n desapareceu\n Parece uma noite\n mas n\u00e3o\n S\u00f3 o meu desejo de luz\n A minha esperan\u00e7a\n Assim o que n\u00e3o foi\n tornou-se \n escurid\u00e3o\n E agora\n estou esperando\n para uma estrela\n Quero ver uma estrela\n no dia sombra\n como a sua presen\u00e7a \n num tempo\n que n\u00e3o mais imaginava\n &nbsp;\n Escrevo \n a luz\n como um beijo\n \u00e9 mat\u00e9ria viva\n Prolongamento do seu olho\n sua mente\n &nbsp;\n Somos\n pedacinhos deslumbrantes\n tanto como\n pedra da lua\n &nbsp;\n Aquela penumbra\n necess\u00e1ria\n para ver\n A chama\n duma vela\n &nbsp;\n Perdida nesse mundo\n &nbsp;\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 17-10-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Senti uma vibra\u00e7\u00e3o\n dentro de mim\n Um p\u00e1ssaro\n atirou-se contra a janela\n N\u00e3o sei mais\n quem eu sou\n Uma folha branca\n ficando \n esperar para seu poema\n Um olhar\n adivinhando as formas\n das nuvens\n Um tempo vazio\n uma cansada\n J\u00e1 ouviu falar\n da leveza\n Aquela dum sol\n fr\u00e1gil\n acariciando sua pele\n O desejo\n A beleza do dia\n que j\u00e1 voc\u00ea sabe \n indo embora\n &nbsp;\n Para onde\n para onde\n &nbsp;\n Vai\n &nbsp;\n As minhas malas\n j\u00e1 est\u00e3o prontas\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 10-10-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Numa madrugada\n fr\u00e1gil\n O sol\n est\u00e1 tomando um banho\n Nas \u00e1guas\n da noite\n Daquelas que mudam \n os sonhos\n Moro aqui\n Vem\n Te&nbsp;mostrarei\n o desejo lento\n duma esperan\u00e7a\n ou mais simplesmente\n Os abra\u00e7os\n dum p\u00e1ssaro\n atravessando o c\u00e9u\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 03-10-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Ele se tornou\n uma nuvem\n Assim quando a chuva\n derrubasse\n o c\u00e9u\n P\u00e1ssaros\n azuis\n foram confundir-se\n com o mundo\n N\u00e3o desaparecer\n Confundir\n \u00c1gua \n e terra\n Bichinho na paisagem \n F\u00f4lego dum beijo\n que na do\u00e7ura e tristeza \n de domingo de manh\u00e3\n vierem\n consolar-te\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 26-09-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Deveria falar\n das coisas simples\n mesmo\n Vi o seu rosto\n num sonho\n Depois acabar um livro\n fazer compras\n A solid\u00e3o dos dias\n agora\n n\u00e3o me pesa\n Nada me pesa\n Eu sou uma nuvem \n que teria um pouco de terra\n na sua bolsa\n Posso ir embora\n ningu\u00e9m vai me deter\n Tenho o seu retrato\n comigo\n Assim sinto-me leve\n T\u00e3o leve\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 19-09-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> A bruma\n entra pela porta\n aberta\n Ela me d\u00e1\n um abra\u00e7o\n Numa outra vida\n fui uma nuvem\n com certeza\n Aquela leveza\n que guardamos\n nos nossos bolsos\n como essa parte\n de alegria\n Intoc\u00e1vel\n Apesar dos acontecimentos\n do mundo\n Pois uma nuvem n\u00e3o tem fim\n fora \n das lagrimas\n que bebem as plantas\n &nbsp;\n Vamos sair\n vamos viver\n vamos atravessar\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 05-09-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n Sempre olho\n a luz da madrugada\n at\u00e9\n acordar-me\n unicamente por isso\n Porqu\u00ea\n Talvez moro nesse lugar\n num tempo indefinido\n Me sentindo metade duma noite\n metade dum dia\n Durante a noite\n preciso do dia\n e reciprocamente\n Assim vou deixar os meus sonhos\n me encher de luz\n e quando o dia\n tiver madrugado\n completamente\n Vou caminhar um pouco\n Trabalhar\n Mas ainda com\n um pedacinho da noite\n dentro de mim\n Talvez penso\n que est\u00e1 imposs\u00edvel \n viver\n sem esse movimento\n Talvez\n somos este movimento\n Com essa bruma\n de hoje\n que faz uma liga\u00e7\u00e3o\n entre a noite\n e o dia que vem\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 29-08-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Um pouco daquele\n tempo\n basta esta luz\n e o quase sil\u00eancio\n O poema surge\n tanto como uma lembran\u00e7a\n esquecido\n que uma esperan\u00e7a\n Um desejo\n - Aprendi que nunca morrem\n atravessando \n seu corpo\n at\u00e9 a sua mente\n Um c\u00e9u infinito\n azul\n e branco\n E desse momento \n t\u00e3o perfeito\n uma brisa leve\n um retrato desconhecido\n aquele ocre da luz\n Um pouco mais do que a poeira\n a mat\u00e9ria da clareza\n O que foi invis\u00edvel\n at\u00e9 o momento\n de repente se v\u00ea\n O mundo mesmo\n simplesmente ampliado\n duma fotinha em mais\n que desaparecer\u00e1\n no instante seguinte\n At\u00e9 uma outra\n e assim por diante\n Mas esse\n ocre de la lumi\u00e8re\n tamb\u00e9m est\u00e1 uma possibilidade\n Somos capazes \n \u00e0 semelhan\u00e7a dum m\u00e1gico\n fazer surgir\n no mapa do c\u00e9u\n Estrelas\n S\u00f3 \n pela pobreza dum amor\n ou pelo menos\n dum poema\n Que j\u00e1 sabemos\n desaparecendo\n Mas que poderemos nomear\n mas tarde\n como o que \u00e9\n o que se chama\n Beleza\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 22-08-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Queria uma fala\n outra\n (sem palavra)\n Um tempinho\n nas suas costas\n s\u00f3 pra ouvir\n uma respira\u00e7\u00e3o\n Poder\u00edamos\n n\u00f3s encontrar\n em sil\u00eancio\n Deixar os sonhos\n se entrela\u00e7ar\n pra dar espa\u00e7o\n dentro nesse mundo\n t\u00e3o constrangido \n Queria andar com voc\u00ea\n sem saber quem voc\u00ea \u00e9\n sem conhecer o lugar\n o caminho\n Abra\u00e7os\n Adeus\n Ficar com uma lembran\u00e7a\n daquele momento\n Um retrato\n com suas bordas denteadas\n - Onde foi\n Um sentimento da vida\n que n\u00e3o se controla\n Como j\u00e1 disse\n um cheiro de terra\n depois uma chuvinha\n Mas talvez\n n\u00f3s nos reconheceremos\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 01-08-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> O cansa\u00e7o dos dias\n sem palavra\n Vamos tomar um caf\u00e9\n olhando o movimento\n dos galhos\n Sem nenhuma esperan\u00e7a\n nenhuma tristeza tamb\u00e9m n\u00e3o\n Somente a aprecia\u00e7\u00e3o \n do tempo\n Um leve sabor de chuva\n ponto de frio\n no calor de ver\u00e3o\n Algumas lembran\u00e7as\n atravessando a mente\n como as nuvens \n que deixam o ramo\n Vamos viajar\n Vamos desejar\n de qualquer forma \n que seja\n Vamos sentir\n aquele movimento da vida\n que te busca\n At\u00e9 mesmo\n sua fraqueza\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 25-07-2021)  \n\n <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> Com o sol que voltou\n (cad\u00ea voc\u00ea)\n Decidi me deixar\n atravessar pelo calor\n Momento do poema\n a pedra ardente\n na sua m\u00e3o\n Tem um lugar\n Tem um lugar\n Alegria foi l\u00e1\n Depois te contarei\n o que aconteceu\n quando fosse \n embora\n Mas hoje o c\u00e9u\n parece t\u00e3o\n lindo\n Que queria me tornar\n um pedacinho\n desse dia\n Que veio\n como um desejo\n de ti\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 18-07-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n Derrubei o caf\u00e9\n sobre a mesa\n duma manh\u00e3 adormecido\n Agora\n olho no c\u00e9u\n nuvens se acumular\n Teve muita chuva\n dias passados\n At\u00e9 um frio anormal\n nessa \u00e9poca \n Aqui ningu\u00e9m \n mais sabe o que esperar\n O sonho mesmo\n torna-se fr\u00e1gil\n Vamos esperar\n Esperar o que\n Eu n\u00e3o sei\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 11-07-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n Duma solid\u00e3o\n sem espa\u00e7o\n Deixei\n de ficar esperando\n A cerca est\u00e1 invadida\n de ervas\n como se ningu\u00e9m\n viesse mais por aqui\n A tranquilidade\n torna-se sil\u00eancio\n quando aparecer \n pensamentos livres\n Sonhos\n que de qualquer maneira\n atravessam o tempo\n sem desfazer essa realidade\n S\u00f3\n me atravessando\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 27-06-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n Fora do mundo\n tento de tecer\n uma luz\n Aquela de manh\u00e3\n mesmo um pouco\n amarelando\n Com uma palavra \n pobre\n Trata-se de existir\n nomeando\n o que no fluxo\n se torna invis\u00edvel\n Apalpo com a pele\n dos olhos\n esse momento\n pra ver\n simplesmente pra ver\n O sol\n apresentando \n o dia\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 20-06-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n Abri a porta\n pouco depois a madrugada\n O calor de junho\n entrou \n Quero essa luz\n aquele c\u00e9u limpo&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \n Azul\n E duma mal\u00edcia\n se tornando \n magia\n Vir perto de ti\n nas asas\n dum andorinh\u00e3o\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 13-06-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n No sil\u00eancio\n o quintal acorda-se\n O que fa\u00e7o\n aqui\n Na solid\u00e3o da madrugada\n quando o resto do mundo\n n\u00e3o mais existe\n Talvez estou buscando\n uma palavra\n ou melhor\n um retrato\n Na qual\n tem\n um pedacinho do sol\n Gosto da luz\n Poderia viver s\u00f3 a olhando\n A luz\n e o movimento\n dalgumas lembran\u00e7as\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 06-06-2021) <\/pre>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"> \n \n \n\n Descobri\n o tempo\n dum p\u00e1ssaro\n Vou viver na luz\n e beber o orvalho do dia\n Sou uma bruta\n um rufio\n Preciso dum espa\u00e7o\n id\u00f3neo\n J\u00e1 deixei as rela\u00e7\u00f5es\n com esse mundo \n virtual\n Prefiro a pedra\n Madeira\n Nuvem\n Olhar uma ave\n pensando\n no meu passado\n &nbsp;\n (Caderno n\u00ba14 \/ 30-05-2021) \n<\/pre>\n\n\n<pre id=\"block-7fd4fece-ac09-4bb0-9abe-c54fda835798\" class=\"block-editor-rich-text__editable wp-block-preformatted has-normal-font-size block-editor-block-list__block wp-block is-selected rich-text\" tabindex=\"0\" role=\"group\" aria-multiline=\"true\" aria-label=\"Bloc&nbsp;: Pr\u00e9format\u00e9\" 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data-rich-text-line-break=\"true\"> no largo S\u00e3o Francisco<br data-rich-text-line-break=\"true\"> \u00c9 isso<br data-rich-text-line-break=\"true\"> reconhe\u00e7o o sol<br data-rich-text-line-break=\"true\"> ele me chamou<br data-rich-text-line-break=\"true\"> Eu vou<br data-rich-text-line-break=\"true\"> &nbsp;<br data-rich-text-line-break=\"true\"> (Caderno n\u00ba13 \/ 16-05-2021)<\/pre>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem um poema por cima de teu ombro Um passarinho vermelho aparecendo na madrugada Fugindo na noite com nossos abra\u00e7os Aquela suavidade da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.12 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Caderno - Thierry Beucher<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, 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